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O faz de conta, a fantasia e o método Montessori

Raffcom Agência / 19 de janeiro de 2022

Tradicionalmente, a vida na infância é repleta de faz de contas e fantasias, como os contos de fadas e o Papai Noel, por exemplo. Porém, para Maria Montessori, criadora do método Montessori, a fantasia pode não ser uma boa ideia para os pequenos. Para entender melhor o pensamento da educadora, vamos começar diferenciando o “faz de conta” da fantasia. Você sabe a diferença? 

método Montessori - faz de conta

Faz de conta ou Fantasia? 

O faz de conta são as brincadeiras que estimulam a criatividade e a imaginação da criança, onde ela própria cria o seu universo através de situações do dia a dia. Como por exemplo, quando ela brinca de casinha, de caixa de supermercado, consultório médico, entre outras profissões. Segundo o método, esse tipo de brincadeira ajuda os pequenos a compreender melhor o ambiente em que vivem.

Já a fantasia, como os contos de fadas, seres imaginários como o coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente, apresentam para as crianças um universo inexistente, o que para Montessori pode gerar confusão em sua mente.

O que Maria Montessori dizia sobre a Fantasia?

Pela filosofia montessoriana, a fantasia é perigosa e nociva para os pequenos. Por exemplo, assistir um desenho com um animal ou objetos inanimados falando, pode levá-los a confundir características da realidade e acreditar que objetos inanimados e animais também podem falar na vida real. 

método Montessori - brincando

Mundo real x Fantasia 

As crianças pequenas observam a realidade com muita atenção, fazem perguntas em uma tentativa de compreender as regras do mundo em que vivem. Essas regras são coisas simples, como por exemplo: pessoas andam e não voam, animais emitem sons e não falam. Depois de ver uma “regra” repetidamente no cotidiano, a criança é capaz de entender que para todas as situações parecidas no mundo, essas regras também se aplicam e funcionam da mesma maneira. 

Por isso, a fantasia é contra as regras do mundo real. Quando um animal ou um objeto falar, um ser humano voa ou tem superpoderes, essas coisas acabam quebrando as regras do real. Dessa forma, confundem as crianças que estão começando o seu processo de compreender o mundo. 

Para nós adultos, que já temos a percepção do que é a realidade e o que é a fantasia, ver um personagem inanimado falando, por exemplo, pode ser fofo e divertido. Já para a criança, é pura curiosidade. Ela vai olhar e achar que faz parte da realidade e de uma forma ainda mais interessante, já que difere de tudo que ela conhecia como real até o momento. O que acaba gerando uma confusão. 

Fantasia x Criatividade

Para Maria Montessori, deixar de apresentar fantasias para os pequenos durante a primeira infância, não significa não desenvolver a sua criatividade e imaginação. Ela defende que fantasia e criatividade são coisas diferentes, que a melhor forma de exercer o lado criativo é quando a criança toma como inspiração algum acontecimento, local, ação, pessoa ou animal da vida real e transforma em uma história, uma brincadeira de faz de conta. Nesse caso, as brincadeiras podem sim ter um lado fantasioso, até mesmo surreal, mas a diferença é que elas são criadas de forma espontânea através do exercício de observação da realidade. 

E você, já tinha pensado nisso? Esse texto é a exposição de um ponto de vista. Existem métodos e técnicas diferentes, educadores que consideram também a fantasia algo proveitoso para o desenvolvimento das crianças. O importante é que cada um reflita, pesquise e fale aquilo que achar melhor para os nossos filhos, não é mesmo?

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