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Como construir a autoestima e ajudar no desenvolvimento dos filhos

23 de maio de 2023

Arruma esse cabelo, menino, você está horrível!

Essas unhas pintadas de verde, você está parecendo uma planta!

Parecem frases inofensivas, uma bronca, parte do dia a dia de pais e filhos. Mas os efeitos podem ser devastadores, se forem repetitivos, no desenvolvimento da autoestima dos pequenos. E podem se refletir por toda a vida adulta. Afinal, a autoestima começa a se estruturar desde a infância.

Vamos ao exemplo de uma criança que tem o pai gritando, a mãe todo o tempo nervosa. Ela naturalmente se recolhe, acha que tem de ficar quieta, tende a tornar-se um adulto retraído, ter vergonha. Essa criança que não teve todo esse apoio emocional, vai continuar viva por toda a vida dentro de nós.

É uma carência que gera sentimentos de vergonha, inadequação, insegurança, ansiedade e medo. E faz com que, ao nos construirmos, nosso olhar se volte para fora, buscando nas relações adultas, o que nos faltou na infância, o que contribui para uma baixa autoestima – explica a psicóloga- Gestalt terapeuta Marlise Borchardt.

A ancestralidade, o sistema familiar, relações ciais e a cultura influenciam na construção da autoestima dos pequenos. A Dra. Marlise destaca que os pais também têm suas carências, dores e dificuldades e oferecem aos filhos o que lhes é possível. Como também receberam pouco, têm dificuldades para lidar com seus vazios e angústias, por isso, a importância de buscar o autoconhecimento, desenvolver-se, criar recursos internos para a ampliação da consciência e estabelecer novas percepções. Embora muitas vezes o que se vê é o caminho oposto.

Hoje em dia, há uma tendência de que todo mundo siga nas redes sociais aquele que é o maior em tudo, o mais forte, o mais rico, o mais bem-sucedido. Mas a gente confunde palco com bastidores, acha que a vida dessas pessoas é o glamour que aparece nas telas do celular. E muitas vezes a vida real é muito diferente disso. A gente se compara com o perfeito, e essa comparação é por si só uma expressão da baixa autoestima – acrescenta a psicóloga.

O tempo que se gasta no celular, portanto, poderia ser dedicado à reflexão, a incluir momentos de silêncio na rotina conturbada de nossas vidas o que pode ajudar na construção da autoestima. Uma forma de enfrentar, inclusive, as frustações do passado.

Cada um interpreta o mundo ao seu redor de uma forma. Mas muita coisa que vivemos na infância continua a nos acompanhar por toda a vida, como uma voz silenciosa que desperta sempre que vivemos determinadas situações”, explica a psicóloga.

Como ajudar a construção da autoestima de nossos filhos?

No livro ‘O drama da criança bem dotada – como os pais podem formar (e deformar) a vida emocional dos filhos’, a psicóloga polonesa Alice Miller afirma que todos nós nascemos como crianças bem dotadas, com sensibilidade e possibilidade de uma vida emocional equilibrada, mas muitas vezes somos desviados dessa natureza humana por um processo educativo em que somos obrigados a satisfazer exigências explícitas e dissimuladas de nossos pais para nos sentirmos merecedores do seu amor.

É uma obra de leitura recomendada pela Dra. Marlise.

Muitas vezes os pais projetam nos filhos suas próprias frustações: “A menina vai ser a bailarina que eu não fui”, “o menino vai seguir a carreira que eu não segui”. Isso gera uma pressão excessiva, cria expectativas que muitas vezes – ou na maioria das vezes – se torna um fardo para os pequenos. Esse é um dos fatores que mais podem contribuir para gerar frustrações e dificultar o desenvolvimento de uma boa autoestima nas crianças. “As memórias ficam armazenadas no corpo e quando sentimos medos e inseguranças, nosso corpo se tensiona.”

A Dra. Marlise diz que é fundamental que os pais reconheçam o valor dos filhos mesmo que eles não atendam suas expectativas. “A distância entre a admiração e a decepção é uma linha tênue”, afirma. É preciso evitar que a criança se sinta obrigada a estar sempre em primeiro lugar, a fazer tudo perfeito. Reconhecer as pequenas conquistas do dia a dia, o esforço para fazer, mesmo que não consiga fazer, é importante para desenvolver a autoconfiança e para construir uma boa autoestima desde a infância.

E a melhor forma de cuidar dos nossos filhos é estar conectado com nossos sentimentos, nos apropriarmos das nossas dores, vivenciar e elaborar os lutos que a criança que existe em nós vivenciou – conclui a Doutora Marlise Borchardt.

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