Livros e o caminho sem volta

12 de abril de 2019 -

Ler sempre foi um dos meus prazeres. Na adolescência me deliciava em obras de aventuras. Quem se lembra da série Vaga-Lume, uma coleção lançada pela Ática a partir dos anos 1970? “A Ilha Perdida”, “Menino de Asas”, “Cem Noites Tapuia”, “Tonico e Carniça” e tantos outros que me fizeram viajar pelo mundo da imaginação. Isso sem contar aquelas obrigatórias do ambiente escolar. E a biblioteca na escola, antes nada acessível, com aquelas obras lindas e ilustradas de Monteiro Lobato. Que vontade de levar tudo para casa. Depois de casado, sem filhos, a imersão era uma rotina. A média de leitura chegou a 20 livros por ano. Hoje, quase não tenho tempo para eles, pelo menos aos meus. Leio-os a prestações e, muitas vezes, preciso voltar páginas para me sintonizar…

Hoje, com dois pequenos, a maioria das literaturas que toco é infantil. Os primeiros exemplares chegaram antes mesmo que eles existissem. Lembro-me da compra de um ambulante aos 15 anos, de uma coletânea com as principais histórias da Disney. Guardei-a a sete chaves até que eu pudesse lê-la para um filho meu. O dia chegou há alguns anos. Já passamos diversas vezes por suas páginas.

Atualmente, em casa, os exemplares estão presentes com as crianças no banho, nas brincadeiras, na hora de dormir… Meu primogênito está fascinado por histórias. Além de ouvir, quer repeti-las, alimentando com sua criatividade e imaginação. O caçula já manipula seus livros plásticos, coloridos e de capas firmes, que também foram do irmão… E desta forma, possibilitamos este contato para que o desejo de ler seja uma realidade em meio à tecnologia que salta aos olhos dos pequenos, em multitelas.

Quando pensamos na estrutura do quarto dos meninos, além das acomodações para o sono, tudo que me vinha à mente era planejar uma estante ou nichos nos quais pudessem estar dispostos todos os livros e brinquedos de forma acessível. Assim sendo, quando quisessem, poderiam retirar o objeto pretendido. Conseguimos.

Acreditamos que a figura paterna tem papel fundamental de influenciador da leitura dentro de casa. Criar novos leitores é investir em cidadãos mais pensantes, críticos, com possibilidade de raciocínio rápido e de fácil interpretação. Isso sem falar do enriquecimento ao vocabulário, à escrita e como exercício de fixação de conteúdos específicos. Além disso, estreitam a relação afetiva entre o narrador e o ouvinte.

Muitos adultos não têm paciência para ler com a criança. Não incentivá-la é subtrair esta viagem ao conhecimento por meio da leitura. Ainda precisamos melhorar o retrato deste hábito nos nossos lares. Os livros estão disponíveis em bibliotecas públicas, privadas, são ofertados gratuitamente por empresas e entidades, e explorá-los se torna obrigação. Ao mesmo tempo em que se faz indispensável o estabelecimento de políticas de fomento para momentos literários à população, os pais devem arregaçar as mangas e partir para a aventura de se deliciar entre as ilustrações e textos. Mas siga com a certeza que o caminho não tem volta, pois a paixão é garantida.

Leandro Nigre Papai do João Guilherme, e do João Rafael, Leandro Nigre é jornalista em Presidente Prudente, especialista em Mídias Digitais Interativas e autor do blog Papai Educa.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *