Já fez sua tarefa de casa?

26 de fevereiro de 2019 -

Que revele o segredo aquele que nunca questionou a obrigação de estudar, que tem aptidão para se concentrar por horas em um mesmo conteúdo e leva tudo isso numa boa! Por aqui, com o pequeno nos primeiros anos escolares e vivendo o processo de alfabetização, os murmúrios já foram mais constantes quando o assunto é a “tarefa de casa”, que agora ele insiste em chamar de “atividade”! Exigiu esforço e estímulo para entender a necessidade de aprendizado e reverter o clichê de que “estudar é chato”. Vez ou outra, os estalos no canto da boca ainda soam quando caderno e estojo estão à sua frente.

Àqueles que, como eu, são dos tempos em que ensino médio se chamava de colegial e série era sinônimo de ano escolar, se atualizar acerca da metodologia aplicada na sala de aula é fator indispensável para ofertar em casa suporte equilibrado na aprendizagem. Muito do que aprendemos naquela época em termos de técnica para a alfabetização hoje já não se aplica mais.

Escolas e famílias têm sido forçadas pelo avanço tecnológico com vistas a garantir o ensino com a utilização de recursos interativos, para que o estudante transforme a exigência em interesse pessoal e se debruce sobre o estudo de forma agradável assim como faz com as atividades de lazer ou na frente de um videogame, por exemplo.

Organização, foco e concentração. Difíceis de serem efetivados quando ao entorno há uma série de possíveis conexões que o deixarão satisfeito. Longe da televisão, do celular ou brinquedos, em ambiente calmo e silencioso, buscamos transformar o momento da tarefa em algo prazeroso. De segunda a sexta, com estas atividades de reforço, mais uma literatura infantil para ser explorada no fim de semana, construímos laços e partilhamos de desafios e conquistas. A cada palavra lida, adição com resultado preciso ou mesmo desenho bem pintado, um motivo para enaltecer o trabalho e me mostrar orgulhoso pela produção independente e responsabilidade com o dever.

Mas nem todos os dias são flores, ou eram. Tivemos aqueles em que o pequeno não queria se aproximar dos cadernos, se mostrava cansado ou mesmo apático quanto à obrigação. Talvez até os autodidatas revelem seus desconfortos neste processo! Mesmo assim, respeitando as particularidades de cada amanhecer, buscamos compensar a tarefa não feita atualizando em datas consecutivas.

A leitura, da mesma forma, foi e ainda é uma grande aliada. E, assim, vamos detectando as aptidões e interesses. Aliás, posso ser exímio em Língua Portuguesa e não me adaptar à Matemática! Nem tudo se compreende a natureza e importância para a vida. Eu via as disciplinas de exatas como penitência. O jornalismo me devolve a cada dia a importância de cada conhecimento adquirido naqueles bancos escolares.

Acompanhar os estudos, a realização das atividades, estabelecer rotina, não fazer a tarefa pela criança – mesmo que ela não conclua – e oferecer suporte para as avaliações, com atividades de reforço gera disciplina. Por aqui, ainda que existam inúmeras dificuldades, naturais do processo, investimos cerca de uma hora do dia neste aprendizado. Tempo valioso a ele e a mim, mesmo que ainda me exija paciência para que o pequeno compreenda algo que aos meus olhos é nitidamente claro.

Aulas monótonas ainda são uma realidade em muitas escolas, que necessitam ser agentes de humanização. Governos e setor privado devem injetar investimentos na educação – não nos aprofundaremos neste mérito, pois o debate geraria inúmeros outros artigos. Ao mesmo tempo, a família precisa estar mais presente na unidade escolar, nas reuniões, congressos e outros eventos realizados. A aproximação da escola com os pais colabora na construção desta identidade do aluno, e estabelece relações orgânicas, tanto com a família quanto com a comunidade.

Cada pessoa é uma versão única neste universo e carece ser tratada como tal. Olhar para as dificuldades de aprendizagem, limitações de cada ser, evitar comparações e enaltecer as qualidades são atitudes positivas e motivadoras, que serão usadas para esclarecer os acertos e erros. Como pais, não devemos terceirizar à escola a formação moral, ética, social, bem como bases educacionais de nossa responsabilidade. Estudar pode até ser chato, mas aprender jamais!

Leandro Nigre Papai do João Guilherme, e do João Rafael, Leandro Nigre é jornalista em Presidente Prudente, especialista em Mídias Digitais Interativas e autor do blog Papai Educa.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *