Como lidar com a mentira dos pequenos?

17 de setembro de 2019 -

Toda criança tem aquela fase de contar suas mentirinhas. Esse costume, por vezes, causa preocupação aos pais que têm dificuldades para lidar com as situações e medo do que isso pode representar no futuro dos filhos. Mas porque as crianças mentem? Como lidar com essa etapa tão difícil da infância?

Toda criança possui, naturalmente, a capacidade de mentir. Segundo a terapeuta Thais Accioly, formada pela USP, uma das características da primeira infância é o poder de imaginar e fantasiar. Nessa fase, a criança sente grande prazer em brincar de “faz de conta”, de inventar situações, de se fantasiar de personagens, de criar histórias mirabolantes. E esta é uma parte importante do crescimento, pois é através dela que a criança consegue organizar afetos e sentimentos, desenvolve habilidades intelectuais, físicas, emocionais e sociais.

A pesquisadora Victoria Talwar, da Universidade McGill, de Montreal, no Canadá, dedica-se a entender a capacidade das crianças em mentir. Em um de seus estudos, descobriu que os pequenos começam a mentir por volta dos dois anos.  Mas é aos quatro que essa característica se manifesta de forma mais intensa:  80% das crianças foram flagradas mentindo nos testes realizados pela estudiosa.

 

Por que a criança mente?

Segundo Thais Accioly, a criança pequena mente para agradar alguém, para se desincumbir de um dever, para escapar de uma bronca, para ter atenção, para se sentir amada, para conseguir algo que deseja muito ou para se eximir de responsabilidades. Ou seja, a mentira, normalmente, é um recurso de defesa, uma forma de tentar se proteger ou de buscar se sentir amada. Não uma maldade ou um desvio de caráter.

– Quando a criança mente para agradar alguém, ou para conseguir atenção ou afeto, é preciso observar como anda sua autoestima, atuando para favorecê-la – explica Thais Accioly.

De acordo com a terapeuta paulista, até perto dos sete anos a criança não demonstra uma grande elaboração da mentira e dificilmente consegue sustentá-la quando confrontada. Mas, a partir dessa idade, o cérebro tem novas funções cognitivas e a mentira pode ganhar novos contornos e maior elaboração.

– É importante que os adultos, a família, em casa, os professores na escola, saibam distinguir a imaginação e a fantasia da simples mentira – destaca Accioly.

 

 

O que fazer quando a criança mente?

Nem sempre é fácil identificar uma mentira. Mas, quando há dúvidas sobre o que diz uma criança, o melhor caminho é sempre o diálogo.

– Perguntas como “Isso é mesmo verdade?” ou “Você tem certeza que foi isso mesmo que aconteceu?” são um bom caminho para esclarecer a situação. A atitude de quem educa jamais deve ser humilhante, ou de reforçar o erro que a criança cometeu. Isso só vai reforçar sua necessidade de se proteger. O correto é mostrar como a mentira pode magoar, causar dificuldades ou mesmo colocar a criança em risco – alerta Thais Accioly, professora da Flower Essence Society Califórnia no Brasil.

Outro ponto importante a sempre ressaltar que, no ambiente familiar, a prática da verdade é valorizada.

–  Quando um adulto está acostumado a contar pequenas mentiras sociais para escapar de uma festa ou um compromisso profissional, por exemplo, muito possivelmente, a criança vai usar o mesmo recurso, copiando o modelo familiar. Assim, é importante que os familiares observem sua fala e atos, prezando pela verdade para conduzir seus filhos a um comportamento ético – conclui Accioly.

A terapeuta explica que existem bons livros e filmes para trazer essa temática para dentro de casa. “Pedro e o Lobo, de autoria do russo Sergei Prokofiev é um clássico. Pinóquio, do italiano Carlo Collodi, também trata do assunto, assim como a obra Maluquinho Pega na Mentira, uma das aventuras do personagem criado por Ziraldo”, afirma Thais Accioly.

Calesita A Calesita Brinquedos conta com uma equipe de assessoria que também colabora na produção de conteúdo exclusivo para o website “Estar Presente”.

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