Xixi na cama: como resolver?

24 de junho de 2019 -

Antes de qualquer coisa é importante esclarecer: xixi na cama é muuuuito comum e ninguém faz xixi na cama porque quer! Na maioria dos casos, molhar a cama é algo que a criança vai deixar de fazer naturalmente com a idade.

Isso acontece porque o mecanismo urinário da criança está em fase de amadurecimento e, mesmo que ela consiga controlar durante o dia, as noites são mais difíceis por causa do sono. Em 2015, a International Children’s Continence Society (ICCS) e a European Society for Pediatric Urology (ESPU) criaram o “World Bedwetting Day” (Dia Mundial do Xixi na Cama, em tradução livre) para alertar pais e familiares sobre um distúrbio habitual da infância: a enurese noturna.

Ela é diagnosticada quando ocorre a partir dos cinco anos de idade, pelo menos duas vezes na semana, e é um transtorno com grande influência hereditária que acontece com cerca de 15% das crianças, a maioria meninos.

Os meninos são mais afetados por terem uma condição fisiológica diferente das meninas, o que os faz atingir a maturidade do sistema urinário mais tarde. O controle do esfíncter é ocasionado não só pelo controle neurológico da musculatura, que segura o xixi na bexiga, mas também por uma série de hormônios que são liberados com o passar dos anos.

 

Causas físicas do xixi na cama

  • Contrações involuntárias da bexiga
  • Aumento da produção de urina à noite por deficiência de um hormônio
  • Hereditariedade (um dos pais ou os dois apresentaram enurese noturna na infância)
  • Diabetes
  • Associação com constipação intestinal
  • Infecção do trato urinário
  • Apneia do sono
  • Desfralde noturno precoce (algumas crianças não possuem desenvolvimento neuropsicomotor suficiente no momento do desfralde.

 

Causas psicológicas do xixi na cama

  • Eventos estressantes para a criança, como começar ou mudar de escola, ganhar um irmão ou irmã ou dormir fora de casa
  • Dificuldade da criança em acordar e perceber que a bexiga está cheia

 

O xixi na cama não ocorre em decorrência de traumas psicológicos como se pensava antigamente, mas em função da ansiedade e alterações ambientais (dormir em outros locais que não seja sua casa, por exemplo). Além disso, crianças com autoestima baixa são mais afetadas pela enurese.

 

O que não fazer

  • Evite a volta da fralda descartável: a criança pode se sentir incapaz e regredir além de causar impactos emocionais. É um retrocesso em vez de ajudá-la a amadurecer
  • Não puna! Bater, gritar, xingar, não resolverá o problema. Sei que é cansativo emocional e fisicamente, tendo em vista que é necessário trocar o lençol, secar a cama, mudar o pijama… mas vai passar.

 

Como agir

  • Pense em comprar um calendário e marcar todas as noites secas. A criança então recebe uma recompensa a cada número pré-estabelecido de noites secas. Se ela tiver uma recaída, simplesmente comece a contar do zero. Faça tudo de um modo bem natural. Sua criança com certeza não está fazendo isso de propósito, e adicionar vergonha e mágoas à situação obviamente não vai acelerar o processo de resolução ou aprimorar a relação entre pais e filhos.
  • É preciso beber pouca água antes de dormir e ir ao banheiro e esperar todo xixi sair. Faça dessa hora uma diversão para que a criança não associe o xixi a algo ruim e sim a algo natural.
  • Explique como o corpo funciona. Procure imagens, vídeos do sistema urinário, você pode até fazer um cineminha com direito a pipoca e refrigerante, claro que numa linguagem bem simples. Explique como funciona, diga que boa parte da água que nós bebemos, tem que sair, e ela sai em forma de xixi.
  • Se persistir, procure ajuda médica com um urologista pediátrico.

 

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HCFMUSP) oferece tratamento gratuito para crianças e adolescentes de seis a 17 anos com enurese através deste projeto.  http://www.projetoenurese.com.br/index.php

Brena Costa Meu nome é Brena Costa, autora do site Uma Menina, mãe da Sara, carinhosamente chamada de Sara Sardinha.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *