Festa Junina, crianças, tradições, valores e vida!

12 de junho de 2018 -

O pátio estava todo decorado de bandeirinhas feitas de papel de seda colorido. Galhos de bambu seco fixados nos pilares e paredes traziam também outros feitos, como balões e personagens que remetiam à festa na roça. Nos pés, uma bota para compor o traje que vinha seguido de calça jeans remendada nos joelhos, camisa xadrez e chapéu de palha. Ao meu lado, a colega de sala, parceira da tradicional quadrilha, também não poupou na caracterização, com vestido de chita e pintinha no rosto. Das poucas lembranças que tenho desta época, a Festa Junina no pré-escolar da tia Hellen Garrio é uma das mais saudosas.

Em todos os anos, não limitei a participação nas danças típicas de junho realizadas durante a fase escolar. Na memória, lances dos preparativos em casa, com a costura dos remendos pela minha mãe e o envio ao transporte escolar de bigodinho, costeleta e barba feitos de lápis de olho. A recomendação era não encostar o rosto em nada para que não borrasse todo aquele trabalho artístico. Sim, pura arte, das mais românticas, livre de quaisquer convenções acadêmicas… Nos ambientes festivos, barracas de pescaria, do beijo e forró… Ah, tinha correio-elegante, pau-de-sebo e cadeia também! Isso sem contar os estalos (estrelinha, peido-de-véia ou traque de massa), que tornavam a brincadeira ainda mais gostosa.

Os anos se passaram, mas a tradição nunca deixou de ser uma realidade na minha vida. Entre os amigos e família, esta época do ano já me traz ao paladar os sabores dos pratos típicos. Bolo, pipoca, amendoim, milho verde, paçoca, pé de moleque, arroz doce, canjica, batata-doce assada na fogueira e quentão! Hummmm! Salivei! Não só pelos quitutes e bebida, mas pela festança boa que isso dá. E quando sinto o cheiro do cachorro-quente, eu volto lá no pré-escolar!

Meus filhos, João Guilherme e João Rafael, vivem esta experiência desde o nascimento. Dentro e fora do ambiente escolar, meu primogênito aguarda ansioso pelos festejos que lembram os três santos populares do mês – Antônio, João e Pedro. Caracterizados de caipiras, os meninos presenciam cooperativismo nas festas, voluntariado na produção dos pratos, na construção da fogueira e das ornamentações… As festas, sempre cobertas de dança, música e muita alegria!

Ah, junho, como é bem-vindo! Quantos valores e oportunidades de integração nos entrega! Com ele, o respeito às tradições e valorização da cultura regional, aquela que é patrimônio de nosso povo e traz embutida formas de expressão distintas para cada localidade, porém com a mesma essência: a festa na roça, onde se origina boa parte do nosso sustento por meio das mãos do homem do campo.

Assim, entre as gerações, é nosso papel como pais garantir que os costumes, sejam quais forem nas regiões em que habitamos, sigam valorizados, sejam orgulho para nossa gente e tenham seus devidos créditos preservados. Às crianças, imaginação e criatividade não faltam. No futuro, memórias de vivências, sensações, sabores e aromas. O arraial é raiz, tradição, cultura, emoção. É vida!

Leandro Nigre Papai do João Guilherme, e do João Rafael, Leandro Nigre é jornalista em Presidente Prudente, especialista em Mídias Digitais Interativas e autor do blog Papai Educa.

One thought on “Festa Junina, crianças, tradições, valores e vida!”

  1. Amei o texto Leandro, me fez reviver a minha época de pré-escolar… hahaah… A minha filha acha muito divertido pintar o rosto com as pintinhas feitas de lápis de olho e o menino gosta dos estalos e do espetinho das festas juninas, realizadas anualmente na escola… a mais tradicional da cidade!

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